domingo, 25 de diciembre de 2011
Perdoar aos inimigos, é pedir perdao para si mesmo:perdoar seus amigos, é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas, é mostrar que se tornou melhor. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus nos perdoe, porque se sois duros, exigentes, inflexiveis, se tendes rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueá que, cada dia, tendes maior necessidade de indulgencia? Oh! ai daquele que diz: ¨Eu nunca perdoarei¨, porque pronuncia a sua propia condenaçao. Quem sabe, alias, se descendo em vos mesmos nao fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por um golpe de espinho e acaba por uma ruptura, nao iniciastes o primeiro golpe? Se uma palavra ofensiva se nao vos escapou? Se usastes de toda a moderaçao necessaria? Sem duvida, vosso adversario errou em se mostrar muito suscetivel, mas é para vos uma razao para serdes indulgentes e de nao merecer a censura que lhe endereçais. Admitamos que fostes, realmente, o ofendido numa circunstancia, quem diz que nao envenenastes a coisa por represalias, e que nao fizestes degenerar em querela seria aquilo que teria podido facilmente cair no esquecimento? Se dependia de vos impedir-lhe as consequencias, e se nao fizestes, sois culpados. Admitamos, enfim,e, com isso, nao tereis senao maior merito em vos mostrar clementes. Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdao dos labios e o perdao do coraçao. Muitas pessoas dizem de seu adversario: Ëu lhe perdoo¨enquanto que, interiormente, experimentam um secreto prazer do mal que lhe acontece, dizendo para si mesmas que ele nao senao o que merece. Quantos dizem. ¨Eu perdoo¨e que acrescentam: ¨mas nao me reconciliarei nunca; nao quero reve-lo em minha vida¨. Está aí o perdao segundo o Evangelho? Nao; o verdadeiro perdao, o perdao cristao, é aquele que lança um véu sobre o passado; é o único que vos será contado, porque Deus nao se contenta com a aparencia: ele sonda o fundo dos coraçoes e os mais secretos pensamentos; nao se lhe impoe com palavras e vaos simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é própio das grandes almas; o rancor é sempre um sinal de rebaixamento e de inferioridade. Nao olvideis que o verdadeiro perdao se reconhece pelos atos, bem mais que pelas palavras.