Recordo que quando cheguei na Espanha na primeira conversa que tive com um alto executivo de multinacional me disse se você está vindo para Espanha atrás de oportunidades está totalmente errado. O velho continente é, ou melhor, com a crise, teria que ser o melhor lugar para amadurecer devido a enorme infra-estrutura dos governos.
O conceito do lindo ou feio e de acordo com os olhos do observador e a irradiação da pessoa observada. Quando o poeta diz beleza é fundamental ele consegue ir muito mais alem da camada externa.   
Perdoar aos inimigos, é pedir perdao para si mesmo:perdoar seus amigos, é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas, é mostrar que se tornou melhor. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus nos perdoe, porque se sois duros, exigentes, inflexiveis, se tendes rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueá que, cada dia, tendes maior necessidade de indulgencia? Oh! ai daquele que diz: ¨Eu nunca perdoarei¨, porque pronuncia a sua propia condenaçao. Quem sabe, alias, se descendo em vos mesmos nao fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por um golpe de espinho e acaba por uma ruptura, nao iniciastes o primeiro golpe? Se uma palavra ofensiva se nao vos escapou? Se usastes de toda a moderaçao necessaria? Sem duvida, vosso adversario errou em se mostrar muito suscetivel, mas é para vos uma razao para serdes indulgentes e de nao merecer a censura que lhe endereçais. Admitamos que fostes, realmente, o ofendido numa circunstancia, quem diz que nao envenenastes a coisa por represalias, e que nao fizestes degenerar em querela seria aquilo que teria podido facilmente cair no esquecimento? Se dependia de vos impedir-lhe as consequencias, e se nao fizestes, sois culpados. Admitamos, enfim,e, com isso, nao tereis senao maior merito em vos mostrar clementes. Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdao dos labios e o perdao do coraçao. Muitas pessoas dizem de seu adversario: Ëu lhe perdoo¨enquanto que, interiormente, experimentam um secreto prazer do mal que lhe acontece, dizendo para si mesmas que ele nao senao o que merece. Quantos dizem. ¨Eu perdoo¨e que acrescentam: ¨mas nao me reconciliarei nunca; nao quero reve-lo em minha vida¨. Está aí o perdao segundo o Evangelho? Nao; o verdadeiro perdao, o perdao cristao, é aquele que lança um véu sobre o passado; é o único que vos será contado, porque Deus nao se contenta com a aparencia: ele sonda o fundo dos coraçoes e os mais secretos pensamentos; nao se lhe impoe com palavras e vaos simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é própio das grandes almas; o rancor é sempre um sinal de rebaixamento e de inferioridade. Nao olvideis que o verdadeiro perdao se reconhece pelos atos, bem mais que pelas palavras. 
Antigamente perguntava-se é filho de que família? Valia a tradição, educação algo que vinha de berço como se dizia; educação vem de berço. Hoje em dia vales pelo dinheiro que tens. Sois venerados pela tua riqueza ou até mesmo pela tua aparência de riqueza que já vale para entrar no clube dos pobres de espírito.
Vale dizer que tem x anos, mas parece – x ou + x. Antigamente gostávamos sempre ser + x porque a sabedoria era dominada pelos velhos através de sua experiência de vida. Hoje todos querem ser –x para se sentirem jovens vivendo as superficialidades do momento.
A busca pelo algo a mais, pelo maior entendimento das coisas virou complicado demais, portanto vale a aparência de jovem que corresponde com o biótipo da sociedade moderna.
A minha história começa numa noite de sexta-feira de dezembro de 1995.
Nesta ocasião vivia em Curitiba (Paraná), era casado com filhos, gerente de uma grande empresa.
Há seis meses estava tendo um caso extraconjugal com minha atual esposa que também na época era casada com filhos.
Através de um cliente que era do serviço especial da Policia Federal fui orientado a tirar um porte de arma, fazer cursos de defesa pessoal e aulas de tiro. Assim foi e em alguns meses recebi meu porte de armas que me permitia andar no dia a dia com uma pistola automática com dois pentes de balas. Sentia-me protegido.
Aquela noite de sexta-feira era muito especial para nós porque finalmente depois de muitos meses de freqüentar motéis por algumas horas, finalmente iríamos dormir juntos por primeira vez no fim de semana. Com várias semanas de antecedência planejamos aquele fim de semana para nós. Tanto eu como minha atual esposa tivemos que montar todo o quebra cabeças para que naquele fim de semana tanto eu como ela estivéssemos sozinhos sem preocupações de esposa, marido, filhos e sim fosse só para nós. Minha ex-esposa viajou para casa de parentes junto com minhas filhas e o ex-marido de minha atual esposa viajou para um retiro religioso juntamente com os filhos.
Finalmente chegou o grande final de semana que certamente iria fortificar nosso relacionamento.
Somente tarde da noite de sexta-feira finalmente conseguimos nos livrar de nossos cônjuges e filhos e pudemos rumar a nossa grande primeira aventura.
O local escolhido foi um hotel colonial na cidade de Antonina (litoral do Paraná). Como saímos tarde da noite de Curitiba optei por viajar para Antonina pela estrada da Graciosa, que é a velha estrada para viajar ao litoral do Paraná. Por este caminho se ganha tempo e o que mais queríamos era estar o mais rapidamente finalmente juntos.
A ¨Estrada da Graciosa¨ é uma estrada histórica que ainda preserva seu pavimento e traçado original. A pavimentação da estrada é de paralepipedo, ou seja, pedra, é totalmente tortuosa com curvas fechadíssimas vasta vegetação com desfiladeiros altíssimos.

Quando finalmente saímos da BR e entramos na estrada da Graciosa já era 11 horas da noite e chovendo muitíssimo naquelas noites de chuva de verão.  
Meu carro era um Passat Pointer 1.8 com rodas especiais todo equipado. O primeiro trecho da estrada da Graciosa é plano até atingir a serra quando começa a descida para o litoral.
Como já era tarde da noite e chovendo muito não transitava ninguém o que permitia desenvolver uma boa velocidade, não víamos a hora de chegar para curtir nossa primeira noite juntos.
Depois de uns 10 minutos de transitar sem ver nenhum veiculo finalmente na nossa frente havia uma Brasilia transitando bem devagar a uns 20 km por hora. Passei por ele xingando que estava tão devagar. Logo adiante já iniciou o trecho de descida da serra.
Logo na terceira curva da descida da serra quando ia fazer a curva o carro escorregou devido a grande quantidade de água da chuva no chão de pedra e o carro desgovernado desceu o morro através da vegetação. Estávamos usando os cintos de segurança e segurando firme o volante consegui parar a uns 150 metros para baixo da estrada. Foram segundos de muita aflição e milagrosamente não batemos contra nenhuma arvore parando unicamente porque a densa vegetação com a água da chuva torrencial fez que parássemos. Perguntei, como você está? Está ferida? Nem ela nem eu sofremos qualquer ferimento. Consegui abrir a porta sair do carro na mata, lama e lembrei que tínhamos ultrapassado aquela Brasília que deveria passar a qualquer momento na estrada. Dei um jeito de subir pela mata até a estrada. O carro estava com os faróis ligados e pedi que esperara no carro.
Depois de uns 10 minutos que estava na estrada finalmente chega a Brasília. Consegui que parasse e expliquei que havia sofrido um acidente, eles quiseram saber se alguém estava ferido, disse que não e que por favor notificasse a policia ou algum caminhão guincho que pudesse nos socorrer. Naquele lugar não havia qualquer sinal de telefonia celular.
Voltei para o carro e ficamos quietos apreensivos com o que tudo isso poderia resultar. Minha companheira ficou quieta como que rezando ou meditando. Estávamos totalmente molhados e no meio de uma densa floresta com chuva torrencial. Como estava com minha arma carregada com dois pentes de balas sobressalentes me sentia até certo ponto seguro quanto à segurança pessoal.    
Lá pelas 2 horas da manha em torno de 2 horas do acidente  der repente vejo que param dois veículos na estrada. Imediatamente minha companheira sai correndo desesperada gritando ¨meus anjos chegaram¨, me bateu um medo muito grande e ordenei para ela ficar no carro que eu iria subir até a estrada para verificar quem eram e o que poderiam fazer para nos ajudar. Chegando à estrada me deparei com dois carros velhos; na realidade caindo os pedaços um Passat e uma Brasília. De dentro dos carros saíram nove homens com uma aparência física que pareciam que eram foragidos de alguma penitenciaria. Quando fui conversar com eles imediatamente imaginei o pior e para minha maior preocupação que minha companheira insistiu, apesar de eu ter pedido o contrario, de sair do carro e ir conversar com eles. Eu pelo medo que senti lhes menti dizendo que a policia já havia sido avisada e que um guincho já estava a caminho.   
Devido à insistência da minha companheira eles desceram o morro para ver onde o carro estava e se poderia fazer alguma coisa.
Os nove conversando entre eles e eu a certa distancia com minha arma na cintura pronto para o ¨pior¨. Eles falaram para minha companheira que era quem mais insistia e conversava com eles que havia sim condições de levar o carro até a estrada. Eu em alerta máximo com minha arma na cintura imaginando como deveria agir;  se intimidar ou sair atirando em todos.
Fiz questão de ficar a distancia e deixa-los agir. Quando olho vejo que seis deles com um ao volante estão levantando o carro para colocar calços nas rodas para não patinar e pouco a pouco subir o morro de volta. Outros dois trouxeram umas cordas que amarraram no carro e primeiro com a Brasília e depois com o Passat puxaram pouco a pouco para a estrada. Quando vi que conseguiram tirar o carro do lugar e que metro a metro estava subindo o morro passei a fazer parte da equipe para levar o carro de volta para estrada. Finalmente depois de quase uma hora de árduo trabalho conseguimos atingir a estrada. Tanto eles como nós estávamos totalmente molhados e de lama até a cabeça. O carro na estrada eles me pediram para checar se estava tudo funcionando, luzes, freios, algum falho. Tudo estava bem então lhes perguntei quanto deveria pagar-lhes. Eles disseram NADA. Eu sentia uma mistura de alivio com grande vergonha e insisti colocando forçado um dinheiro no bolso de um deles. Subimos no carro e bem devagar chegamos finalmente no hotel. Tirando minhas roupas peguei a pistola e constatei que estava travada e descarregada apesar de eu ter absoluta certeza de deixá-la pronta para qualquer eventualidade.
Já estava amanhecendo e pedimos para lavar nossas roupas e carro e fomos dormir. No sábado ficamos o dia todo quase que adormecidos em estado de meditação pelos fatos ocorridos. No domingo depois de lavar o carro e nossas roupas varias vezes para retirada de toda a lama retornamos para Curitiba. Fiz questão de fazer o mesmo caminho para durante o dia ver o local que caímos e em que situação estivemos. Olhando não pudemos acreditar como que primeiramente pudemos sair da estrada descer 150 metros de morro e não bater em nenhuma arvore apesar de haver centenas, milhares nesse ponto. Imaginar como pudemos subir de volta aquele morro puxados por corda e com a ajuda de nove homens se em conversa com gente do local nos disseram que com guincho é uma operação demorada e complicada. Inacreditável como o carro não sofreu qualquer dano nem um simples amassado.
Esta historia nos mostrou e ensinou muitas coisas;

·      O desprezo pelo próximo muitas vezes é castigado antes do que imaginamos. A Brasília a minha frente ia bem devagar dando sinal do perigo iminente, mas que eu desprezei e ainda xinguei.
·      O fato de haver caído justamente em um ponto da estrada sem um grande abismo e sair totalmente ileso sem nem sequer com qualquer dano material devemos agradecer ao Senhor que ainda nos enviou os ¨anjos¨ para nos tirar daquela situação.
·      Quando pedimos com muita fé somos atendidos. Os ¨anjos¨ vieram e fizeram o que tinham que fazer.
·      A aparência, aspecto físico pouco importa.
·      ¨A segurança¨ que nos dá de estar armado de nada adianta para gente que não está realmente preparada para andar armado. Graças ao Senhor que quando os anjos se aproximaram a arma estava travada e ainda sem balas. A partir de então me livrei da pistola.